Embora seja lembrado principalmente pelo enorme sucesso de “Quero Você”, o álbum Volume 4, de Carlos Santos, representa muito mais do que um fenômeno comercial. Seu impacto transformou a Gravasom, gravadora fundada pelo próprio cantor em Belém, no principal centro de produção musical do Norte do Brasil durante a década de 1980, impulsionando artistas ligados ao brega, à lambada e a outros gêneros regionais.

Naquele início dos anos 1980, Carlos Santos já era um dos nomes mais populares da música paraense. Com Volume 4, entretanto, alcançou uma dimensão inédita. Escondida como última faixa do lado B, “Quero Você” tornou-se um sucesso avassalador, ultrapassando as fronteiras da Amazônia. A música era uma adaptação não creditada de “Jamais Voir Ça”, sucesso do grupo antilhano Exile One, de Guadalupe.

Outro tema clássico, “Dona Baratinha” apresenta uma produção surpreendentemente moderna para a época, combinando sintetizadores, guitarras e uma base rítmica dançante que antecipa sonoridades exploradas nos anos seguintes. Já “Lambada do Piriri”, composta em parceria com Pedro Américo e Alípio Martins, reforça a aproximação entre o brega paraense e as influências caribenhas que moldavam a música popular amazônica naquele período.

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O êxito comercial de Volume 4 consolidou a Gravasom como referência na produção fonográfica da região Norte. Seus estúdios passaram a receber artistas do Pará, Amazonas, Amapá e de outros estados amazônicos, transformando Belém em um dos principais polos independentes da indústria musical brasileira. Com isso, a gravadora demonstrou ser possível produzir, gravar e distribuir música regional em larga escala a partir da Amazônia.

Esse movimento foi decisivo para o fortalecimento de uma cena musical própria, permitindo que dezenas de artistas registrassem seus trabalhos sem depender das grandes gravadoras nacionais. Ao mesmo tempo, consolidou uma estética sonora baseada na fusão entre brega, merengue, cúmbia, zouk e outros ritmos que circulavam pela Pan-Amazônia, preparando o terreno para a explosão da lambada poucos anos depois.

Acompanhe e comente a série completa:

No livro “Ondas Tropicais – A invenção da lambada e do beiradão na Amazônia moderna”, seu autor, o jornalista Fernando Rosa, destacou oito discos fundacionais da música do Norte.

Com o livro esgotado, e aguardando uma segunda edição atualizada, Senhor F Social Club publica os textos, com pequenos ajustes, para os leitores do site interessados no tema.

  • Observação: a lista é um recorte editorial de Senhor F Social Club.

Os discos selecionados são os seguintes:

1 – Os Mocambos / Apresentam: Marabaixo, o folclore amapaense (1974)
2 – Mestre Cupijó e seu Ritmo / Dance o siriá (2) (1974)
3 – Alypyo Martins / O Rei do Carimbó – Vol 2 (1974)
4 – Pinduca / No embalo do carimbó e do sirimbó – O rei do carimbó Vol. 5 (1976)
5 – Vieira e seu Conjunto / Lambadas das quebradas (1978/9)
6 – Papete / Bandeira de aço (1978)
7 – Teixeira de Manaus / Solista de sax (1981)
8 – Carlos Santos / Volume 4 (Quero você) (1982)

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Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F)

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