Para os garimpeiros de vinil e arqueólogos sonoros, a Nigéria da década de 1970 é um poço sem fundo de obras-primas. Além do boom mundial do Afrobeat e do rock psicodélico, existe um universo de gêneros e discos praticamente infinito.

Nesse mundo ainda pouco conhecido, está o gênero “highlife” e suas bandas de guitarra. Exemplo típico do highlife igbo, o LP do Abaraka ’77 Guitar Band of Nigeria, é um dos objetos do desejo de qualquer colecionador.

  • O highlife igbo nasceu do encontro entre a música tradicional do povo igbo e o highlife urbano da África Ocidental, tendo a guitarra elétrica como instrumento central, frequentemente executada em padrões entrelaçados em substituição aos metais presentes em versões mais antigas do estilo.

Espécie de “lado B” da África dos anos 70, é um disco obrigatório para quem quer entender a música africana além dos nomes mais conhecidos. Atualmente uma raridade, o disco foi originalmente lançado pelo pequeno selo Feathers e reeditado por editores menores.

Musicalmente, com quatro faixas, o álbum é uma aula de transe e improvisação crua. A produção, sem os polimentos dos grandes estúdios ocidentais da época, joga a favor da banda, resultando em um som quente e direto.

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Para quem é fã das raízes profundas da música africana e aprecia o trabalho de nomes como o Oriental Brothers International Band ou Celestine Ukwu, este disco do Abaraka ’77 Guitar Band of Nigeria é um tesouro escondido.

O disco pode não ter alcançado o mesmo estrelato global imediato do Afrobeat de Fela Kuti, mas entrega uma experiência 100% autêntica, vibrante e indispensável para entender a alma da música popular do leste nigeriano dos anos 70.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).

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